quinta-feira, 15 de maio de 2008

SACOR

A SACOR foi a primeira empresa portuguesa a dominar o processo completo de importação, transporte, refinação e distribuição de produtos petrolíferos. Foi fundada a 28 de Julho de 1937, por um romeno radicado em França - Martin Saim.

Até aos anos 30 do século XX, Portugal era abastecido de produtos petrolíferos por várias empresas estrangeiras, como a Shell, a Vacuum e a Atlantic.

Apesar de em 1933 se constituir a Sociedade Nacional de Petróleos (SONAP), na qual o governo português detinha 40% do capital - sendo o restante detido por investidores franceses - não houve grande alteração do panorama petrolífero, sobretudo porque nenhuma destas empresas fazia a refinação em Portugal.

A necessidade de refinar localmente o petróleo está directamente ligada com a legislação criada pelo estado – a famosa "Lei dos Petróleos" de 1937 - que complementada por outra lei de 1965 (Lei do Condicionamento Industrial), criam as condições e o enquadramento legal para a criação de uma empresa petrolífera com refinação nacional – a SACOR.

A SACOR escolheu o Cabo Ruivo (zona oriental de Lisboa) - que era tradicionalmente a zona industrial da capital - para instalar a sua refinaria, que foi oficialmente inaugurada a 11 de Novembro de 1940. Devido à Segunda Guerra Mundial, as limitações foram impostas tanto ao nível das exportações de produtos petrolíferos como no seu transporte por via marítima, impedindo, assim, que a então nova refinaria atingisse a sua velocidade cruzeiro de produção (cerca de 300.000 tons/ano).

Problemas com o transporte de petróleo já tinham sido alvo da atenção por parte do estado português, que através do Instituto Português de Combustíveis tinha adquirido quatro petroleiros: o "Gerez", o "Aire", o "Marão" e o "Sameiro". Contudo, estes quatro navios foram insuficientes para garantir as necessidades energéticas portuguesas. Para ultrapassar estas dificuldades, as empresas petrolíferas e o Estado iriam, em 13 de Junho de 1947, constituir a Soponata, onde a SACOR detinha metade do capital desta nova empresa.

Em 1953 foi criada a ANGOL, seguida da MOÇACOR (em 1957) para a distribuição dos seus produtos, respectivamente, em Angola e Moçambique.

Já em 1958, a SACOR introduziu a gasolina super, e criou a GAZCIDLA (para a distribuição do gás butano, e a PROCIDLA (para o propano).

Em 1959 a criou a sua própria empresa de navegação marítima - SACOR MARITÍMA.

Nos anos que se seguiram à guerra, assistiu-se a um substancial aumento do parque automóvel em Portugal. A SACOR criou uma rede de postos de abastecimento por todo o país. Muitos destes postos partilhavam o mesmo desenho, e são ainda hoje facilmente identificados pelo arco que abriga as suas bombas.

Após a revolução do 25 de Abril, a empresa foi nacionalizada e integrada na Galp. Os negócios fuel foram transferidos para a Petrogal, enquanto que a companhia de navegação - Sacor Marítima, SA - subsiste e é uma das empresas do grupo Galp Energia.

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