sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

FAMEL – Fábrica de Produtos Metálicos, Lda.

A FAMEL foi das maiores empresas de motorizadas de Portugal. Produziu o que de melhor havia no sector das duas rodas e durante as décadas de 60, 70 e 80 ditou regras e bateu top's de vendas. Foi uma importante propulsora da economia interna portuguesa nessa época.

As suas instalações ainda permanecem de pé na Estrada Nacional 1, na entrada de Mourisca do Vouga - Águeda. Actualmente, é degradante o estado de conservação dos antigos pavilhões e bonitos jardins que componham a unidade fabril.

Desta empresa saíram das mais belas motorizadas de fabrico nacional. Das nostálgicas "Carriça" e "Foguetão" à futurista para a época "Electron", passando pela espectacular “XF17”. Estas fizeram as delícias da juventude de pelo menos quatro décadas, tempos em que todos tinham como meio de transporte a motorizada, fosse FAMEL ou qualquer outra marca. Estes pequenos e aparentemente frágeis veículos de duas rodas e motor maioritariamente Zundapp de 49,9cm3, ajudaram a fazer crescer muitas famílias, muitas casas e também Portugal. Este mesmo Portugal teve uma quota-parte bem significativa no encerramento destas indústrias, sendo apontado na gíria como o principal responsável pelo encerramento da FAMEL.

No início dos anos 90 e com a forte quebra nas vendas, a FAMEL começou lentamente a despedir os seus colaboradores. Após a entrada de Portugal na UE, com a forte concorrência internacional e juntamente com a falta de capacidade dos seus gestores para se adaptarem às investidas dos Nipónicos, Italianos e até Espanhóis, fomentou-se na empresa uma crise nunca antes sentida. Como se tal não bastasse, a Zundapp e Casal também tiveram fortes problemas económicos que ditaram também as suas respectivas falências, deixando a FAMEL sem motores.

Já em 1997, a FAMEL tinha um projecto revolucionário na manga. Era a "Electron", uma scooter eléctrica, desenvolvida em parceria com a Efacec e que parecia ter tudo para vingar no mercado. O governo não criou a legislação necessária, complicando a obtenção das licenças de condução para 50 cm3 - incentivando a carta de condução de modelos com motor de 125 cm3. A empresa já com enormes dificuldades devido à concorrência externa e com o fim das licenças de condução para velocípedes, não aguentou e encerrou as portas.

Em 2002 e depois de muitos processos em tribunal, a empresa acabou por declarar falência. Da FAMEL dependeram milhares de pessoas directa ou indirectamente, sendo por isso uma forte referência na história industrial de Portugal.