Na sequência de um encontro que tive o prazer de estar presente, juntamente com vários empresários locais num destes dias, gostaria de partilhar a minha ideia base para o funcionamento próspero de uma economia regional.
Na minha opinião é impossível aumentar o nível de riqueza de uma região isolada se não se recorrer à exportação, ou seja, se não se trocar os bens locais por capital estrangeiro à região, acumulando-o. Desse modo, se uma política de auto-subsistência governar nestas regiões, apenas com subsídios externos (outra forma de captar capital) se conseguirá sobreviver.
Imaginemos uma quinta isolada, se o produtor não arranjar forma de trocar os bens que produz por capital exterior à quinta (vendendo os seus produtos), nunca vai conseguir gerar riqueza, pois, no máximo irá sobreviver.
Está claro que quando se está rodeado de mar por todos os lados, no meio do atlântico, é extremamente complicado colocar produtos competitivos no mercado externo. Temos custos acrescidos de produção causados pela importação da maior parte dos bens necessários a esta produção, bem como custos com o transporte destas compras.
Assim, para sobreviver no mercado externo e poder competir com produtos que beneficiam de economias de escala e de estruturas de custos muito inferiores às nossas, temos de apostar na diferenciação dos nossos produtos. Não nos sendo possível competir com o factor preço, teremos obrigatoriamente de nos diferenciar pelo factor qualidade. O cliente final terá de escolher o produto “dos Açores” pela sua marca, pela sua qualidade, pela sua garantia e não pelo seu preço.
É obvio que a decisão do consumidor incide sobre a relação qualidade / preço, e são raros aqueles que olham cegamente à qualidade ignorado o preço. Então, para termos preços razoáveis para o nível de qualidade que os nossos produtos apresentam, não podemos prescindir de todo dos subsídios, pelo menos a curto prazo.
Deveremos trocar por capital estrangeiro produtos de “alta gama “ relacionados com o nosso verde e azul (terra e mar), impossíveis de clonar noutro ponto do globo. Não são fábricas de utensílios, carros, peças, vestuário ou calçado que nos darão riqueza, pois poderão certamente fazer a sua função em outras regiões com custos de produção muitíssimo mais reduzidos (matérias-primas / mão-de-obra). Poderemos sim, trocar por capital estrangeiro o Turismo, o Leite e derivados, a Carne, o Peixe, os Frutos e Flores exóticos, etc., todos aqueles produtos que já temos, que são bons e se distinguem por serem inigualáveis a quaisquer outros existentes no mercado.
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